RASGA!


Para Will

      Apesar da minha aparência sou frágil emocionalmente e tenho consciência e ontem eu tinha ficado magoada, tinha conhecido alguém, ao qual depositei alguma expectativa, meu erro foi não ter observado os detalhes atentamente, tantas evasivas...
     Mas não me permito mágoas intensas de quem ainda nem está presente, movida pela raiva parei para refletir, é Drummond... safadinho, sabe o que faz, escreve de forma tão complexa e singela, sua Rosa, é o tempo, é sua identidade, é o espaço, não permite entrar em suas entrelinhas, talvez esse seja o caminho, pelo menos o meu.
     A primeira do dia foi a Amanda me dizendo por meio de um diálogo, que claramente que tudo se quebra, concordo plenamente, opiniões, confiança, tudo isso é para quem não tem um pingo de consideração não é nada. Depois Yuval vem e diz que as pessoas vão criar suas interpretações em livros sagrados para justificar seus atos, dignos de uma criatividade sensacional.
    A quebra foi minha, fiz café. Fui ouvir ao podcast do Emicida, onde conta as estórias de família, me vi revivendo a minha infância, onde sentada na minha cama minha mãe (avó) me contava as suas histórias de infância, de moça, até chegar onde estávamos. Outra reflexão, nunca contei as minhas histórias para meu filho, somente aquelas escritas nos livros, por quê? Talvez a minha história ainda não esteja escrita, em outra época isso pode acontecer, realmente eu não sei.
   Acendi um incenso para fingir aquecer meu coração, terminei o Último voo do Flamingo, a prostituta, a administratiz, a amaldiçoada, todas juntas negando o papel que lhes foi imposto, homens resolvam o problemas que vocês criaram, enquanto o ego permanece nada mais pode ser criado ou escrito.
   Segunda Chamada. Jarid Arraes, conselheira, eu escrevo, quem quiser me leia. A raiva é fonte da escrita, não só para mim, ninguém aqui e agora, e sim para uma grande parcela de autores realmente importantes socialmente. Somos contemporâneos, entendemos uns aos outros. Não quero nenhuma relação contraditória como a de Drummond com Neruda, espero sororidade.
   Segui com Simone que novamente me dá um tapa ao mostrar que esse modelo familiar que eu busco é uma merda, talvez eu tenha que ter uma residência artística e apoiar os meus, e esquecer o medo de estar só.
   Hoje também entreguei o Raízes um filho/projeto, seu destino agora não está mais nas minhas mãos, espero que cresça e floresça e quando eu morra não se quebre.

            Por enquanto é isso, até amanhã, e sim to fudida emocionalmente!

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