Eu não to bem


Hoje (08 de Junho) acordei toda feliz, fui colocar o lixo na rua, fiz meus serviços de Home Office, e voltei a dormir, estou com uns sonhos estranhos, e resolvi escrever o de hoje.
Pode ainda estar confuso mas eu gosto de compartilhar as coisas com vocês.


Resolvi fazer visita, sempre sou eu quem vai vê-los, eles nunca aparecem aqui. Amo andar no centro velho de São Paulo, hoje em especial faz sol, gosto de observar cada detalhe da rua, os prédios têm cores sólidas acinzentadas, mas algum deles são bem bonitos, alguns tem uns arabescos. Acho interessante que onde ela mora podemos ver o contraste do cinza escuro do asfalto, com a calçada de pedrinhas claras.
O prédio azul escuro e bem alto. Entro no elevador, tudo é de madeira, é antigo, mas bem conservado, aperto o ultimo numero, eles deixam a porta aberta, entro, o apartamento é iluminado pelas luzes naturais do sol, passo pela sala vou ao quarto ver quem está lá, um colchão no chão, e ele está deitado, com um short branco, cara amassada, segurando uma folha de não sei bem o que, nós conversamos sobre a loucura dela por limpeza, e outras coisas que sempre falamos.
Ouço um barulho, ela entra pela porta, com roupa de faxina pesada, balança a cabeça e murmura alguma coisa, um oi tudo bem, aparentemente subiu correndo de elevador, passou por mim na porta do quarto e foi em direção à sala e voltou a lavar a enorme janela de vidro, acho que ela foi observar da rua se a janela estava limpa. Volta a encher a janela de espuma por fora e por dentro esfregando muito, joga água, e desce na rua para ver se agora foi. Não está bom. Vejo-a olhando para cima e comento: -ela realmente é louca. Sobe novamente e volta a esfregar.
Na cozinha a mãe dela está a lavar as louças, tenta ajudar falando que pode subir ao ultimo nível do prédio para remover uma mancha, ela não a impede, mesmo sabendo que é uma senhora e que já não tem mais forças para os afazeres domésticos. Então ela desce para rua enquanto sua mãe está lá de forma vulnerável, ela grita: - você não vai conseguir ver a janela por conta das flores, a senhora ouve: - indo ver as flores.
Vendo a aproximação da senhora ela continua gritando, e a senhora continua não ouvindo, ela pega nas florzinhas rosa meio avermelhadas, dessas comuns de jardineira e simplesmente cai...
Cai para frente, despencando com muita velocidade.
Ela não ouve o barulho do corpo caindo ao chão, continua a olhar para o ultimo andar do prédio. Sem reação ela sobe, pega um aquário retangular, que está cheio de cacos de vidros, quinquilharias de uma casa normal, ele pergunta da cama: -onde você vai?
Ela responde: - Estou indo ver as flores.
Ela desce e só consegue pegar algumas flores e colocar no aquário, ficando imóvel segurando o objeto olhando para frente sem reação.

Por enquanto é isso, até daqui a pouco!

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